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1985-2005: A Editora Arauto foi fun-dada em 1985 por Helder Cerqueira e Lucas Lopes para dar corpo à facção literária da Cooperativa de Artistas «Caza das Almas» em Setúbal. A primeira publicação foi, por mero acaso, uma pequena brochura de Joseph Raug (The Hand), impressa na Tipografia à Rua de S. Francisco, em Lisboa, onde tantas outras obras emblemáticas da poesia portuguesa haviam sido impressas. Seguiu-se a Revista ARAUTO, em Novembro de 1985, no cinquentenário da morte de Fernando Pessoa, com um extra-texto da autoria de Helder Cerqueira (FP50) que estabelecia um paralelo com o processo das FP25 a decorrer nesse momento, o que foi desde logo motivo da maior polémica, porque retratava o poeta como refém das celebrações.
A imprensa em geral recebeu a publicação muito bem (ver o caso do EXPRESSO), à excepção do JL (jornal de letras, artes e ideias) que levantou um opressivo bloqueio e pesado silêncio sobre a publicação. A cooperativa tomou então a iniciativa de publicar anúncios pagos no tal jornal, mas estes foram sucessiva-mente censurados sob o pretexto de serem contrários «ao espírito» do semanário. Um dia, quando toda essa gente já estiver morta e enterrada, será interessante fazer-se um estudo sobre o código moral da pequeno-burguesia que pensou e dirigiu esse jornal no final do século XX. Por fim, chegado o natal, a cooperativa aceitou publicar um anúncio anódino, com vista a possibilitar ao público mais alargado do JL um contacto com
a revista. Esse, e outros anúncios e recensões críticas, podem ler-se aqui. Seguiram-se os números dois e três da revista, sempre com o mesmo sucesso reduzido a que estão votadas todas as publicações que não sejam oriundas da esquerda maçónica, ou das etnias intelectuais vigentes. Em 1987 publicam-se mais quatro livros, mas os dados estavam lançados. Os autores/editores tiveram então que fazer uma escolha fundamental: ou partir para a luta desigual do mercantilismo intelectual, ou produzir obra. Escusado será dizer que produziram obra. E aí estão eles novamente, a publicar um legado literário que o futuro julgará de forma imparcial, mas que o presente não conhecerá. A sua persistência, em ter lido este pequeno texto até ao fim, po-
de já ser entendido como um sinal de mudança. Nós agra-decemos. Se comprar um livro, nós agrade-cemos mais. Mas não espere de nós mais que a dedicação in-condicional à obra. A mesma de sempre: aquela que nos faz respirar, acordar, ou sonhar, em português.


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